terça-feira, 27 de agosto de 2013

A saída precoce de jogadores do Brasil

A saída de Vitinho do Botafogo para o CSKA da Rússia, foi a grande surpresa do mercado brasileiro, nos últimos dias. Contratado por 10 milhões de euros pelo clube, valor estipulado como multa para clubes do exterior, o jogador que assumiu a condição de titular do time carioca após a saída de Felipe Gabriel, não completando nem ao menos um semestre na condição de titular.

Esse é apenas mais um exemplo de jovens jogadores que saem de seus times sem nem ao menos terem amadurecido e demonstrado seu futebol no Brasil, como recentemente ocorreu com Wellington Nem, Fernando e no passado com Willian (ex- Corinthians), Alex Teixeira e Souza, revelados no Vasco, Renato Augusto ex- Flamengo, Douglas Costa e Carlos Eduardo ex- Grêmio, entre outros.

A falta de planejamento adminstrativo é um dos principais fatores para essa saída, com os dirigente gastando com veteranos e preferindo os jogadores mais experientes aos jogadores jovens, acabam tendo um orçamento apertado e se vem o obrigados a venderem sua jovens promessas, para cobrirem gastos. ou mesmo as perdem devido a contratos mal redigidos ou com clausulas de venda pequenas para clubes do exterior (sendo esse tipo de clausula com valor sendo escolhido pelo clube).

Além disso os jovens são preteridos por veteranos, e acabam tendo pouca chance nos profissionais, preferindo assim, ir para clubes de médio escalão ou times de regiões com pouca visibilidade na Europa, com mercados emergentes e que trava a carreira do jogador, elo fraco nível técnico, como China, Oriente Médio e  Leste Europeu.

Acreditando fazer um grande negócios, os clubes brasileiros ficam satisfeitos com valores pequenos, que com a evolução dos jogadores, acaba demonstrando o desespero dos dirigentes e a falta de visão técnica dos mesmos, uma vez que, parte dos jogadores acaba sendo revendido para a Europa, por preços maiores, ou repatriados por clubes brasileiros por preços semelhantes.

Com efeito, o time brasileiro, se vê obrigado a repor as vendas com veteranos ou jogadores de qualidade inferior, que acabam por receber salários altos e não produzem o necessário, sendo assim a cada janela, contratados jogadores em massa. Uma grande parte desses jogadores não dá certo e acabam encostados e inflacionando a folha salarial dos clubes.

Um exemplo recente é o do Corinthians, o clube paulista emprestou no meio de 2012, o jovem zagueiro Marquinhos para a Roma, com grande potencial, que já havia sido demonstrado no profissional, nos poucos jogos que participou, o zagueiro foi emprestado por cerca de 1,5 milhão de euros para o time italiano, com uma clausula de compra de 3 milhões, que foi exercida pelos italianos que o venderam em julho deste ano por 35 milhões de euros para o PSG, deixando o time de Parque São Jorge de ganhar cerca de 30 milhões de euros

O prejuízo não fica apenas nos valores que os clubes deixam de arrecadar, com o empréstimo de Marquinhos, o Corinthians precisou ir ao mercado para contratar um zagueiro, e o time paulista contratou o veterano Anderson Polga, com salário superior ao da revelação até dezembro, com atuações irregulares, o jogador pouco atuou pelo clube paulista.e acabou sendo dispensado, o que gerou ao time de Parque São Jorge a necessidade de contratar outro zagueiro, tendo gasto cerca de 3 milhões de euros para repatriar o bom zagueiro Gil, gastando assim o dinheiro que arrecadou na venda de Marquinhos.

Outro bom exemplo, do prejuízo causado aos clubes pela venda de jovens revelações é o Santos. Com a venda em 2010 de André por 6 milhões de euros ( ficando o clube paulista com cerca de 4 milhões) e do volante Wesley, que foi vendido ao Werder Bremen por 8 milhões de euros ( O Santos também ficou com 4 milhões de euros), o clube teve que correr atrás de peças de reposição e apostou em Keirrison e Diogo para a vaga do atacante, jogadores que receberam altos salários, mas pouco renderam ao clube. Para o meio campo, o Santos se viu obrigado a investir, depois de um ano, em Henrique e Ibson, gastando 8 milhões de euros para contrata-los, e com atuações irregulares pouco renderam e deixaram o clube por valores inferiores as suas contratações.

Ainda nesse exemplo, André não se adaptou a Ucrânia e a França, o que acabou por prejudicar sua carreira, em busca de sua recuperação teve passagens pelo Atlético Mg e pelo Santos e com excesso de peso não conseguiu repetir as boas atuações do inicio de carreira, só retomando as boas performances no Vasco.

Os exemplos de Neymar no Santos e Hernanes e Miranda no São Paulo demonstram que por vezes pode o clube perder dinheiro com os jogadores, ao não vende-los, mas com estes ganha títulos, conquista novos torcedores, aumenta patrocínios e receitas de bilheterias, e com bom planejamento ainda podem render dinheiro em uma futura venda para o clube.

Dessa forma cabe aos clubes reavaliar as vendas e perceber que nem sempre é o melhor caminho a venda de jogadores, pois vale muito mais para o seu principal consumidor, que é o torcedor, um bom time e titulos do que uma venda, que por vezes é precipitada, desmonta times e gera ainda mais gastos para ser reposta com qualidade inferior...

Nenhum comentário:

Postar um comentário