terça-feira, 20 de agosto de 2013

A nova forma de contratar talentos sul-americanos, adotado pelos europeus.

O mercado sul-americano sempre foi a principal fonte de talento para os europeus, que contratavam jogadores a baixo custo e os revendiam após destaque dos mesmos para outros clubes ou apostavam nos mesmos para fazer carreira nos clubes. Alguns jogadores como Ronaldo Fenomeno, Ronaldinho, Kaká, Aguero, Falcão e Cavani foram comprados a preços pífios e geraram lucros absurdos ao times europeus que apostaram nos mesmos.

Com o passar do tempo os clubes sul-americanos perceberam essa tendência e outros clubes europeus perceberam se tratar de um grande negócio a busca de revelações em países com menor poder financeiro, algo que inflacionou o mercado e obrigou os clubes a contratarem jogadores por preços maiores quando já tinham alcançado certo destaque em seu continente.

Recentes negociações como as de Lucas, Bernard, Paulinho, Oscar e Neymar, demonstram a inflação e a maior valorização de jogadores que ainda não provaram seu valor no continente europeu, mas tinham status de craques em seu país, recebendo seus clubes, valores de padrão europeu.

Até mesmo jogadores desconhecidos no país ou sem grande destaque no profissional como Lucas Piazon e Felipe Anderson geraram boas rendas aos seus clubes, sendo ainda apostas e podendo o dinheiro ter sido mal gasto. Algumas negociações falhas como as de Keirrison e Henrique para o Barcelona e André para o Dynamo, tornaram-se grandes fracassos e abriram os olhos dos clubes para o risco que envolve tais negociações, quanto a adaptação do jogador ao clima e ao estilo do futebol europeu.

Diante desse cenário os times europeus, passaram a adotar outras formas de contratar jogadores nos mercados mais valorizados como Argentina e Brasil, sem correr o risco de perderem tanto dinheiro e ainda terem a possibilidade de lucro num futuro próximo.

A mais conhecida é a contratação de talentos ainda na fase que não podem assinar seu primeiro contrato, o que exige grande conhecimento do mercado sul-americano, olheiros competentes e grandes contatos, o que começa a ser cada vez menos interessante para os jovens brasileiros, que recebem de seus clubes, salários de jogadores profissionais na tentativa de manter seus craques.

Ainda o status que ganham no Brasil, atuando no profissional e as chances para atuarem nos mesmos, são maiores que em clubes europeus que têm grandes elencos e acabam ignorando por vezes a base de seus times. Um exemplo claro disso é o já citado Lucas Piazon que era tido como grande revelação no Chelsea e ainda não jogou pelo clube ou ainda o atacante Wellington Silva que tem sido emprestado pelo Arsenal a times da segunda divisão espanhola, quando aqui no Brasil chegou a ser titular no Fluminense.

Assim os grandes clubes europeus passaram a utilizar uma modalidade muito comum na Europa, mas que ainda não havia sido muito utilizada com clubes sul-americanos, o empréstimo com passe fixado. Dessa forma buscam jogadores ainda em formação e que tiveram algum destaque nos times profissionais de seus times, demonstrando talento, mas por falta de oportunidade ou qualquer outro fator ainda não conseguiram se fixar como titulares.

Para seduzir os clubes da América do Sul, os times europeus, pagam quantias consideráveis pelo empréstimo dos jogadores e estipulam preços baixos para a compra, fazendo assim, com que os dirigentes acreditem ser uma grande oportunidade e que provavelmente terão seus jogadores de volta ao fim do empréstimo como acontece no Brasil, por vezes. Dessa forma, os clubes europeus tem a possibilidade de diminuir o risco e dar tempo aos jovens jogadores de se adaptarem ao estilo do futebol europeu e podem ter grandes lucros.

São exemplos dessa prática recente o volante Casemiro, ex- São Paulo e o atacante Sergio Araujo, ex-Boca Juniors, que eram tidos como promessas de seus clubes e foram emprestados a Real Madrid e Barcelona, respectivamente. Após um período nos times B, para avaliação dos jogadores, o Real Madrid fez valer a clausula de compra do volante Casemiro, enquanto o Barcelona preferiu liberar o atacante argentino para o Boca Juniors novamente.

Agradado com os resultados e a diminuição de custos e de riscos do negócio, o Real Madrid, tenta agora a contratação do volante Alan Santos, boa promessa do Santos, que ainda não conseguiu se firmar na equipe titular santista, seguindo assim o exemplo de Casemiro.

O principal exemplo desse tipo negócio é o zagueiro Marquinhos, ex- Corinthians, uma das promessas da base do time do Parque São Jorge, a Roma propôs o empréstimo do jogador com passe fixado. Com grande potencial, e sem espaço no time titular, o Corinthians acabou por ceder o jogador diante do alto valor, acreditando que o time italiano não faria valer a clausula de compra do jogador e teria um jogador experiente de volta ao seu elenco.

Ocorre que o zagueiro, emprestado por 1 milhão e 500 mil euros (valor considerado alto pela direção do Corinthians, para um jogador sem destaque no time profissional) teve boas atuações chamou a atenção de grandes times europeus. Com o passe fixado em 3 milhões de euros, a Roma resolveu por adquirir o jogador, que foi, vendido para o PSG da França, por 35 milhões de euros, seis meses após ser comprado, deixando o Corinthians de arrecadar cerca de 30 milhões de euros com a transferência.

Dessa forma, segue o alerta, para os clubes sul-americanos, quanto a nova forma de negociação dos europeus, que diminui os riscos financeiros dos mesmos e aumenta os riscos de prejuízos dos clubes formadores, mostrando que nem sempre esse tipo de negócio é rentável, não apenas pelo prejuízo financeiro futuro, mas também por não poder o time usufruir do jogador em seu time profissional, fator para o qual a categoria de base existe...

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